Comentando o Álbum: Reboot – Wonder Girls [2015]

O mundo pop e o mundo do k-pop sempre circulam ao redor de um mesmo conceito (algumas vezes não simultaneamente). Já tivemos vários exemplos sendo usados incansavelmente como tropical, reggaeton, trap… mas estes ficaram no passado. E atualmente, a onda é emular um outro passado, só que mais distante. Eu diria que essa é a expansão da onda retrô, para o lado da música. Já que, principalmente, séries de TV como Strager Things mostraram que dá para fazer muito dinheiro apelando para a “nostalgia” do público.

Algo meio engraçado, é em como o Wonder Girls esteve à frente de seu tempo, enquanto emulava o passado, em seu último LP lançado. O JYP jogou as gatinhas de cabeça em vários números retrôs. De muito bom gosto, diga-se de passagem. Este se tornou não só um marco na história do grupo, como também na vida das várias gays que choraram por todos os orifícios ao dar play nesta obra. E de quebra, em 2020 podemos esfregar na cara de qualquer army, little-monster ou fã-de-Dua Lipa que o Wonder Girl did it first muitos anos atrás.

Particularmente falando, faço parte da galerinha que não viveu em nenhuma dessas épocas, onde o disco e o city-pop circulavam tão livremente quanto homofóbicos, racistas e machistas. Tampouco conheço atos de tais “eras” da música. Mas adoro ouvir artistas atuais emulando o que tinha de melhor no estilo. Também estou entre os que não sabem NADA de música, principalmente falando de qual estilo é qual. Ou então, de qual década pertence cada um deles. Logo, tenham em mente que nesta review vocês vão ter os meus comentários ao melhor estilo Glória Pires exatamente como faço neste blog como um todo. Algumas coisas, não sou capaz de opinar.

Mas sem mais enrolação, pois já deu três parágrafos enormes, vamos logo falar das músicas. O LP começa já numa batidona de fritar miolos em Baby Don’t Play. A intro da música faz referência às gravações dentro do balde de antigamente, mas logo a faixa já mostra as maravilhas da evolução da tecnologia. O instrumental sujo e os vocais sufocados, típicos desses números, se tornam incríveis aos ouvidos nestas gravações mais novas. E o Wonder Girls entrega o melhor de seus desempenhos nesta maravilhosa trilha sonora de cornos que querem afogar as mágoas na pélvis de alguém.

Em seguida, o ritmo continua acelerado em Candle feat Paloalto. Sendo esta a faixa sexy e com letra safada, daquelas que instiga uma bateção de bife mais selvagem que o comum. As gatas gemem o tempo todo enquanto seduzem o boy com suas qualidades pirigóticas. E o pacote recebe um grande laço vermelho, com o rap do Paloalto chegando em ótima hora. Uma das raras vezes em que algum mano não estraga uma faixa ótima e ainda agrega ao produto final.

Infelizmente em trabalhos coreanos, os artistas tinham o péssimo costume de usar apenas uma faixa como single o que parece estar mudando nos últimos meses. E a escolhida para este álbum foi I Feel You. Confesso que meu caso com ela caminha em uma perigosa linha de amor e ódio. É um grande hino, com um clipe absurdo de lindo e criativo. E isso é irrefutável. Porém, eu não acho que seja a melhor do LP, tampouco a melhor para se usar como single. Parando para refletir um pouco, talvez o meu único problema com ela, é dor de cotovelo por ter roubado o holofote que poderia ter sido de alguma outra música favorita do álbum…

Após o trio rala-xana-no-chão-da-boate que encabeça isto aqui. Rewind aparece sem nenhuma timidez para nos instigar um novo sentimento. Ela é mais calma que as anteriores, porém não se deixa cair na categoria de balada-insossa. Na verdade, é uma das melhores tentativas de fazer o ouvinte querer chorar pela melodia soturna, mesmo ao som de algo tão lindo e com instrumental tão “pra cima”. Também serve como aquela música para você sentar no banquinho e dar uma respirada, antes de quebrar o cu novamente na pista de dança.

Loved traz a batida animada de volta, só que com uma interpretação vocal ainda mais manhosa/bêbada que qualquer outra faixa anterior. Também temos o refrão gravado dentro do balde e propositalmente ruidoso, para lembrar a todos que isso aqui é um álbum retrô (como se os outros elementos já não fossem mais que suficiente). É uma ótima transição entre duas faixas opostas.

Pois em seguida temos John Doe. Outro batidão para rebolar como uma grande idosa gostosa. Adoro que a música tem os vocais extremamente esganiçados em contraste com o rap da Yubin, que é grave. Fora isso, ela não foge muito do que foi apresentado até agora e ainda assim é boa pra caralho.

Mas aí vem One Black Night e *BOOOOM*. Tantos sentimentos acontecem quando ouço essa música, que da primeira vez que ouvi não entendi nada. Temos as meninas encarnando gatas-no-cio enquanto gemem loucamente e soltam frases diretas e de único sentido como “deixe eu te tocar lá“. Tudo isso acompanhado de um instrumental extremamente bem construído e coeso, que não deixa a faixa cair na monotonia, mas também é forte o suficiente para te dar um boost louco de energia.

De repente, Back começa e você que é uma capopinha nova como eu para pra conferir se, sem querer, o player mudou pra uma faixa do Red Velvet. Não sei explicar bem, mas as “batidas secas” da intro me remetem imediatamente ao quinteto da SM. Pena que dura pouco e logo a música volta a ter a cor do Wonder Girls. O que também não é lá um problema, pois o quarteto entrega uma ótima abertura de Um Maluco no Pedaço versão garotas maravilhas.

A nona a dar as caras, é também a primeira delas que não curto muito. Oppa é divertida, mas me incomoda um pouco, acho que por ser muito aegyo em comparação com o resto do LP. E dá para ter uma ótima noção de onde o JYP tirou inspiração para compor as músicas boas do Sixteen/Twice no início de carreira. Isso aqui nas mãos das novas divines seria um momento de glória para os sones onces.

Faded Love volta à melancolia, já trabalhada lá em cima. Só que é ainda mais soturna e com um instrumental que não tenta te causar outro sentimento, se não tristeza. E a letra, como o título sugere, se trata de um amor que já passou da hora de acabar. Para uma balada, ela é muito boa. Mas só ouço quando vou ouvir o álbum todo.

Seguindo na linha grandes gostosas desiludidas, Gone entrega mais vocais impecáveis que passam perfeitamente a sensação de sofrência intencionada. Tá que é mais uma balada, mas o refrão me cativa muito, assim como o instrumental mais “minimalista” se comparada às outras faixas de algumas partes que se resume só a umas batidas de fundo.

Por último, Remember faz as honras de fechar o trabalho assim como todos os álbuns de k-pop que se prezam. Com uma power-ballad. A sensação que eu tenho, é que o JYP falou para as meninas “o disband vai vir em breve, agora cantem como se esse fosse o último álbum de vocês“. E tal sentimento casa até mesmo com a letra que diz que elas sempre se lembraram do amor de x pessoa. Ou seja, do amor dos wonderfulls.

Como um todo, o Reboot é um LP impecável. Além de super coeso e consistente, entrega o melhor lado da “nostalgia retrô”, que hoje em dia virou trend. Acredito que dificilmente alguém do k-pop da JYP fará algo tão lendário quanto isso. Onde até mesmo as baladas para encher tracklist e/ou encerrar álbum, são ótimas.

Resumindo, o melhor álbum que já ouvi na vida. Mals ae Red Velvet, essa coroa não vai para vocês.

Nota: 10,0

13 comentários em “Comentando o Álbum: Reboot – Wonder Girls [2015]

  1. Loved e John Doe são minhas preferidas nesse álbum.
    Nunca vou entender como a Coréia dormiu nesse álbum e amou algo tipo I got a boy do SNSD. Apesar de eu amar SNSD essa música é uma bomba.
    Reboot perfeição do kpop. Pena que a carreira das Wonder Girls sempre foi uma bagunça total.
    Mas mesmo assim, lendas!

    Curtido por 1 pessoa

  2. REBOOT é tão maravilhoso que funciona não só como um álbum de k-pop, mas como um álbum de pop mundial, independente do país onde foi gravado e lançado ou do idioma em que é cantado.

    Como o Asian Mixtape bem definiu na época, REBOOT não é um álbum inspirado na década de 1980, ele É um álbum da década de 1980, mesmo tendo sido gravado três décadas depois. Tudo que dava identidade ao pop de 1980 está ali.

    O fato dos coreanos não terem dado a esse álbum as vendas e a aclamação que ele merece é um CRIME.

    Curtido por 1 pessoa

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